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Um espectro assusta o país, e se ela voltar?

Clemente Rosas

 

Os desacertos do governo interino de Michel Temer têm levantado a questão do apoio que os adeptos do impedimento da senhora presidente, por uma razão lógica, lhe deveriam prestar. Ministros afastados por suspeitas desqualificantes, concessões às casas legislativas, recuo e aparente insegurança na nova composição dos ministérios. Sem contrariar os fundamentos de eventuais desconfianças, ou mesmo de desencantos, uma reflexão se impõe aos que pensam seriamente, suprapartidariamente, em melhorar a situação do país: que alternativa de poder temos, objetivamente, até a consumação do processo de impeachment, que os serviçais da presidente afastada tentam, a qualquer preço, protelar?

Não há alternativa nenhuma, já que eleições antecipadas são rigorosamente inviáveis, do ponto de vista da legalidade, a curto, e mesmo a médio prazo. Estamos, portanto, diante de um “imperativo categórico” de escolha. A quem preferimos: Temer ou Dilma?  Para orientar tal escolha, proponho prosseguir refletindo: como seria o nosso amanhã, se, por hipótese, Dilma voltasse ao poder em agosto ou setembro?

Teríamos, em primeiro lugar, o desmonte de toda a equipe econômica que, com orientação bem definida, começa a arrancar o país do fundo do poço, para a volta da política econômica errática, experimental e fundada em ideias preconcebidas que nos trouxe até onde estamos. Depois. o reaparelhamento de toda a administração pública, com o abandono dos critérios de mérito, e a volta daqueles cujas credenciais são apenas partidárias. E também a retomada das negociatas que saquearam o país de forma nunca antes vivida, para viabilizar o projeto de perpetuação do Grupo no poder.  Enfim, a sabotagem da Operação Lava Jato, já tentada, infrutiferamente, por várias ações concretas, bem diferentes das manifestações de intenções de líderes do PMDB e outros partidos, que gravações de delatores têm revelado, e que, em sí, não têm expressão criminal: o Direito não pune meras intenções.  Para dissipar dúvidas, três exemplos são suficientes: a nomeação do ex-presidente Lula para ministro, visando a livrá-lo do foro comum de julgamento, a missão confiada ao senador Delcídio Amaral para convencer o sr. Nestor Cerveró a desistir da sua delação premiada, com a promessa de uma fuga para o exterior, e a outra missão posterior, conferida ao Ministro Aluísio Mercadante, para convencer o senador Delcídio, por sua vez, a não colaborar com a Justiça. Todos fatos, irrefutáveis, provados e comprovados.

O quadro de uma volta de Dilma é sombrio, para dizer o mínimo. Estamos assistindo a degradação da Venezuela. O que ela é hoje, seríamos nós, amanhã. Por isso, a opção é inquestionável: Temer ou Dilma. Já fizemos a nossa.

MOVIMENTO ÉTICA E DEMOCRACIA
www.etica-democracia.org

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