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E o futuro? – Sérgio C. Buarque

Sérgio C. Buarque

O futuro se decide agora. Da mesma forma que o Brasil de hoje é o resultado de decisões do passado, não apenas dos anos recentes mas, principalmente, de um passado longínquo, quando deveríamos ter definido prioridades na aplicação dos recursos públicos, sempre escassos, com escolhas estratégicas na educação, na inovação e na infraestrutura. A julgar pelo que temos hoje – crise econômica e forte desequilíbrio fiscal, desagregação social, pobreza e desigualdades, violência e degradação política e moral – vêm sendo tomadas, ao longo das décadas, decisões totalmente equivocadas ou cometidas graves omissões na definição de políticas e na alocação dos recursos públicos. Estamos muito atrasados em tudo quando se compara com o resto do mundo: somos o 81º país no ranking de competitividade das nações, nossa produtividade é apenas um quarto da produtividade daquele país da Ásia. Na educação, o Brasil está entre os últimos da prova PISA nas três disciplinas (63º em Leitura, 69º em Matemática, e 67º em Ciências), bem abaixo do Chile e de vários países da América Latina.

Como dizia Nelson Rodrigues, “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. Ao longo das décadas, o Brasil tem sido dominado pelas emergências e priorizado as ações imediatistas e assistencialistas, preferindo as gambiarras e os arremedos simplistas e populares ao enfrentamento dos estrangulamentos estruturais. Neste período, o Estado brasileiro foi sendo capturado e corroido lenta, mais profundamente, por diferentes grupos de interesses e corporações influentes que chamam de direito os seus privilégios que hoje comprometem parcelas crescentes dos recursos públicos. Querem um exemplo? O sistema Jucidiário no Brasil gasta em salários cerca de R$ 41,16 bilhões por ano (sem contar os vários penduricalhos que disfarçam o rendimento total). Enquanto isso, a União gastou com educação no ano passado cerca de R$ 100 bilhões, apenas duas vezes e meia os salários do Judiciário, e quase o mesmo que foi destinado à Previdência dos servidores públicos (R$ 80 bilhões). Não é possível construir o futuro do Brasil com estas flagrantes desproporções na alocação dos recursos públicos amarrados pelos “direitos adquiridos”, que resultaram de decisões equivocadas do passado e que precisam ser corrigas e adequadas às novas condições e às prioridades estratégicas do país.

Angustiados com a crise do momento, cada vez mais os brasileiros pensam menos no futuro, cada grupo social tentando sobreviver, e as corporações preocupadas apenas em segurar seu pedaço do Estado falido. E os políticos, além que comprometidos com a corrupção, se movem e decidem preocupados com seu próprio mandato e com a próxima eleição. Corremos, assim, o grande risco de persistir nas decisões que nos manterá no subdesenvolvimento, com todas as suas mazelas.

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